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Gilberto Gil emociona no Rock in Rio e revela possibilidade de despedida

08 de setembro de 2026
6 min de leitura
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Gilberto Gil emociona no Rock in Rio e revela possibilidade de despedida

Gilberto Gil, aos 83 anos, fez uma apresentação memorável no Rock in Rio, onde sugeriu que poderia ser sua última participação no festival. O show foi uma celebração da sua trajetória musical.

Gilberto Gil entrou no Palco Mundo do Rock in Rio na noite de segunda-feira, 7 de setembro, como quem já conhecia cada metro daquele território. Aos 83 anos, o cantor caminhou devagar, segurou a guitarra e deixou que a própria história ocupasse o espaço. Vestido de branco, com detalhes prateados, abriu a apresentação com versos de “Cérebro Eletrônico”, antes de atacar “Palco”. A escolha teve peso simbólico: Gil não precisava correr para provar nada a ninguém.

Nos primeiros minutos, porém, o clima de celebração ganhou uma camada inesperada. Diante do público, Gil admitiu a possibilidade de aquela ser sua última participação no festival. “Eu estive aqui no primeiro Rock in Rio. Talvez esse seja o meu último. Estou cansado, vamos ver”, afirmou. A frase não soou como mero comentário. Afinal, depois de cinco passagens pelo evento, o artista sabe exatamente o tamanho de sua trajetória naquele palco.

E é justamente aí que a apresentação ganhou força. Gilberto Gil não entregou a performance física de outras épocas. Andou pouco, preservou os movimentos e apresentou uma voz mais frágil. Ainda assim, seria injusto medir aquele show pelos parâmetros de um artista no auge físico. Gil ofereceu outra coisa: repertório, memória, elegância e uma capacidade impressionante de fazer milhares de pessoas cantarem sem precisar disputar atenção com o espetáculo.

“Foram 16 músicas em pouco mais de uma hora, com clássicos como “Andar com Fé”, “Toda Menina Baiana”, “Realce”, “Pela Internet” e “Palco”. O público assumiu boa parte dos vocais, quase como se devolvesse ao artista tudo aquilo que recebeu dele ao longo de décadas. Nesse sentido, o show funcionou menos como uma apresentação convencional e mais como uma celebração coletiva da obra de Gil.

O telão com imagens de antigas edições do Rock in Rio e a pirotecnia sobre a Cidade do Rock reforçaram essa sensação. Havia um evidente diálogo entre passado e presente. Entretanto, em alguns momentos, o aparato visual parecia disputar espaço com aquilo que realmente importava. Gil não precisava de grandes efeitos para justificar sua presença. Sua história já era o maior espetáculo daquela noite.

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